Tenho uma fome obscena dele, com ele. Devorarei minha imaginação se for preciso. Se for preciso vou ficar devendo beijos, abraços e sorrisos, mas vou me jogar na roleta esperando um único lance alto. Vou me endividar até pedir falência. E sem explicação, motivo ou razão, vou arder em alegria, essa que não aceita ser chamada de felicidade porque é uma palavra longa e a alegria tem pressa, tanta pressa que escolheu seu nome para se disfarçar. Qualquer um teria vergonha de contar, mas 10 anos não são dados para questionar, está resolvido, fertilizado de impressões e ilusões de que demos conta do recado direitinho. O mais antigo é também agora. Tenho dó de quem diga o contrário. Não é ficção, é baseado em fatos reais. Ele tem um exagero proposital na armadura e que ao tentar convencer, involuntariamente seduz. A contrariedade é um pretexto para ele não encerrar a conversa. Aplica o humor para ponto e vírgula, um remédio para qualquer hora. Tem um olhar infantil e não poderia ser cruel com a íris verde no inverno, os olhos roubados das pinturas de Modigliani que desnudam e acariciam a alma. Levo ele para o meu país das maravilhas, onde tenho a intimidade de olhar mais para a boca do que para os olhos, quando posso ser sarcástica, poética, ingênua, dramática, engraçada e linda como uma mulher genuína, sem precisar me explicar, traduzir ou pedir desculpas e ele ainda parecer justo e ousado. Provocador da minha incontinência verbal. Vão dizer: ela enfeitou e superfaturou as palavras - mas eu só disse a verdade mesmo sabendo que sua alma masculina é descrita sem perfume, mas com muito respeito e gentileza. O seu abraço é tudo que precisamos saber sobre o amor e o segredo é saber tocar uma lembrança mais do que o corpo da gente. Mistério insolúvel da minha feminilidade, quanto mais tento entender é quando mais desejo me perder nele.
1 dia atrás

