Um pouquinho sobre machismo

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Seria o Machismo uma falta de educação e informação ou apenas uma maneira de esconder o medo e a insegurança masculina diante de uma mulher bem resolvida e experiente? Escrevo sobre isso porque ainda me assustam algumas expressões masculinas propagadas por bocas de ambos os gêneros. "Segunda mão, galinha, piriguete...", e é daí pra pior. Só poderiam ter vindo de bocas masculinas, e eu explico: Uma mulher experiente tem outros parâmetros, abalando assim, a segurança sexual daquele machinho que morre de medo de ser comparado. Na minha teoria, esse sim é uma problema de homem. Comparação. Não sei do que eles tanto tem medo: Se é do pau ser pequeno, da performance social e sexual ou de serem desmascarados. No fundo eles são sensíveis e inseguros também. Nem vou entrar no mérito da igualdade em todos os aspectos e me aprofundar. Essa discussão é infindável e até hoje nós, mulheres, não encontramos o equilíbrio entre a igualdade salarial e ter um marido pra pagar as contas. Ter dinheiro todo mundo quer, mas dividir as contas..."ah! deixa que eu pago minhas calcinhas". Bem fácil. rs

Felizmente os números mostram que os homens brasileiros não são tão machistas quanto os homens de outras nações latinas. Prova de que esse lance de virgindade e menina pura já virou conto da carochinha. Ainda nascem virgens? A verdade é que o mundo está aprendendo a valorizar uma mulher bem resolvida, e graças a isso temos nos livrado desses esteriótipos machistas e demonstrado que mulher pode sim ter um passado, outros relacionamentos, igualdade social e além de tudo ser uma mulher desejada. Vão dizer que homem não gosta da bem-humorada, independente, companheira e boa de cama?

Depois dessa... "vou não, quero não, posso não. Minha mulher não deixa não..."

Estantes da eternidade

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É o que me deixa feliz por namorar você: é a atenção renovada, uma dedicação secreta que não traz fama, mas traz meu reconhecimento. Inutilidades, coisas simples como o restaurante preferido, sua mania de azeite, as perguntas que não gosta de ouvir e como gosta de amassar o travesseiro. Os cheiros e o modo que escolhe suas roupas. O quanto você é capaz de estar ao meu lado falando da eternidade. A sedução da nossa preguiça. Toda saudade que chega antes de acontecer e da ternura do último amor. É o feijão com arroz da rotina que eu nunca gostei, mas com você eu gosto. O amor por inteiro de todos os dias e horas. E as lições de lidar com o que me irrita sem explodir, não ameaçar com o fim e não interromper com chantagens.

Pela eternidade, eu deixaria os sábados e os domingos para não descansar e dormiria no seu corpo sem me indispor com a demora das horas. Amaria de verdade e de mentira, só para não deixar nada sem amar. Não sofreria com o grande espaço dos livros, e eu mesma armaria estantes para o resto da vida.

Confabulando

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Ela completa o quebra-cabeça sobre a diferença entre sua experiência e a dos outros, e por vezes é a peça que faltava. Tudo é colocado em seu devido lugar. Ás vezes com muito excesso literário e um fluxo desordenado de palavras conscientes do drama que as espera. Talita faz ficção da realidade e, de repente, a provável aventura desemboca em um romance. Tão real e mágica que ás vezes parece ter sido inventada. Curióloga com proficiência em opinião e especialização em achologia, revela uma carga extra de confabulações e confissões generosas que não levam amargura, mas um alto grau de compreensão dos limites e inversões semânticas que deixam escapar o tom sentimentalista. Ela anda de mãos dadas com a réplica e a tréplica, um interesse infinito pelo avesso de tudo. A sua seleção de memórias é composta de indícios e detalhes, o que, para os amigos, justifica a existência da intimidade. Não tem medo de se desperdiçar, tem sempre alguém que tem o olho maior do que a barriga e fica com toda a sua doçura e afeto, mas o melhor é que no fim tudo nela é aproveitável. Como no primeiro dia de aula, a conheci com aquele frio na barriga. Tive medo, mas me despedi dela com mais alegria do que os meus olhos puderam suportar. Escolhi bem as palavras, mas quem escolhe as palavras não está certo sobre o que sente. Preciso de tempo para apreciá-la. Por enquanto, vou guardá-la como minha xícara de porcelana francesa...com a asa quebrada para ninguém roubar de mim.
Para Talita.

Lupa para os detalhes

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Não poderia com exatidão descrevê-lo apesar dos anos que passaram por nós. Sentem cheiro de tinta fresca? É a nossa amizade recém pintada com as tintas e os sabores da vida. Ele poderia ser as luvas no inverno, a boina no outono, o pescoço para o sol deslizar pela nuca no verão ou o nariz na primavera. Cada vez que vem de longe, duplica sua ausência quando vai embora. Deixa rastros de saudade...e ainda dá para ouvir sua risada. Não é um sedutor, é um pugilista. Por saber tão bem segurar um olhar com as palavras e depois manter as palavras com o olhar. Knockout. É a intimidade da linguagem dos sentimentos. Fácil se sentir desafiada ao lado dele. Desafiada a não se repetir, a esforçar-se para entender, a não desistir da resposta e a digerir tudo isso no final do dia. Bom para mim que sofro de refluxo e tenho que descansar um pouco depois da janta, tempo suficiente para pensar no bem que ele faz. Estar perto é espiar pela lona do circo para apreciar os palhaços e tomar café com chiclete, é tomar um porre com os amigos e lembrar de tudo para rir no dia seguinte. Nenhuma solenidade para entrar, sem essa de pedir licença...Quando você perceber será tarde demais e você não vai querer deixá-lo ir. Já sofro desse mal.
Para Marcito

O que está diferente em mim? Ele.

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Tenho uma fome obscena dele, com ele. Devorarei minha imaginação se for preciso. Se for preciso vou ficar devendo beijos, abraços e sorrisos, mas vou me jogar na roleta esperando um único lance alto. Vou me endividar até pedir falência. E sem explicação, motivo ou razão, vou arder em alegria, essa que não aceita ser chamada de felicidade porque é uma palavra longa e a alegria tem pressa, tanta pressa que escolheu seu nome para se disfarçar. Qualquer um teria vergonha de contar, mas 10 anos não são dados para questionar, está resolvido, fertilizado de impressões e ilusões de que demos conta do recado direitinho. O mais antigo é também agora. Tenho dó de quem diga o contrário. Não é ficção, é baseado em fatos reais. Ele tem um exagero proposital na armadura e que ao tentar convencer, involuntariamente seduz. A contrariedade é um pretexto para ele não encerrar a conversa. Aplica o humor para ponto e vírgula, um remédio para qualquer hora. Tem um olhar infantil e não poderia ser cruel com a íris verde no inverno, os olhos roubados das pinturas de Modigliani que desnudam e acariciam a alma. Levo ele para o meu país das maravilhas, onde tenho a intimidade de olhar mais para a boca do que para os olhos, quando posso ser sarcástica, poética, ingênua, dramática, engraçada e linda como uma mulher genuína, sem precisar me explicar, traduzir ou pedir desculpas e ele ainda parecer justo e ousado. Provocador da minha incontinência verbal. Vão dizer: ela enfeitou e superfaturou as palavras - mas eu só disse a verdade mesmo sabendo que sua alma masculina é descrita sem perfume, mas com muito respeito e gentileza. O seu abraço é tudo que precisamos saber sobre o amor e o segredo é saber tocar uma lembrança mais do que o corpo da gente. Mistério insolúvel da minha feminilidade, quanto mais tento entender é quando mais desejo me perder nele.

Para o amor da minha vida, Luiz.
 
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